terça-feira, 6 de abril de 2010

DESPIDO

"Corre a noite, de manso num murmúrio
Por desertos e casas pedregosas
Quem saberá o que vale a pena?"










FLORBELA COM PESSOA
(mero acaso)






sexta-feira, 2 de abril de 2010

BEATRIZ






O Mar empurra-as com a atitude de quem não deve partir. Cheira a Ti, nunca aqui estivemos, mas cheira-me a ti.
Está frio e o desejo de sentir um quente abraço teu não me abandona, trouxe-o comigo para nada ser em vão, Fuga, Praia, chama-se Al Berto.
Sinto a cabeça vazia de nada e nos meus ouvidos ouço o éter, a trizteza, a melancolia da chamada Beatriz. O sol esconde-se e o céu torna-se alaranjando, exitem cães que voam enquanto as mãos ficam fracas e lentas pela rouxidão trazida pelo vento.
Aqui sentado já tudo me parece tão pálido e oculto, o farol ao longe exibe a sua magistralidade, a luz quase acende e Tu não vens. Afinal qual é o teu nome? Qual é o sabor do teu toque? O sol já se despede de mim e tu?
Já não existem Pedros nem Romeus, existo eu que por mera inocência vim.
Está cada vez mais frio, já nem um cigarro consigo acender.
O mar aproxima-se na tentativa de me abraçar, envolvente, salgado, extremamente quente, verde e branco.
Tu, não vens!
Há cães, meninos que brincam na praia, pegadas de alguém que já partiu.
Pensei que de mim ao Mar a distância fosse maior, o Sol já se pôs.



Vamos Beatriz (não grites mais).









quarta-feira, 31 de março de 2010











Foram secas as palavras engolidas o meu corpo está frio, afinal, os dias sem ti não são dias iguais, são apenas dias banais.




























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Uma mão cheia de NADA



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terça-feira, 30 de março de 2010

SINGLE | GRAY




Foi uma voz com cor de cafeína que me disse.
MaIs uma vez te sinto fugir por entre os meus dedos, te sinto a entrar pelo meu corpo, perco os reflexos e abandono o toque suave de um veludo cor de carne.
Habitas-me mesmo que ausente...apareço nú, despido de todas as armas que até agora me fortaleceram agressivas batalhas.
Aqui permaneço conservado em sangue sobre pequenos pedaços de vidro.







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segunda-feira, 29 de março de 2010

CAPITÓLIO





As músicas quentes que me tocast-te, os sorrisos doces que ofereces-te e as palavras parcas que me disses-te fogem entre os dedos.

Garrafas bebidas inundam o meu rosto já queimado por cigarros fumados à chuva. Um espaço alzul vazio de música e agora coberto por imagens de alguém... as horas escorriam como pequenas gotas e os sorrisos desenhavam-se nos rostos daqueles que te fazem.

Foi num dia, uma tarde à beira Mar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

José Régio



"Vem por aqui"- dizem-me alguns, com olhos doces,

estendendo-me os braços e seguros

de que seria bom que eu os ouvisse

quando me dizem: "vem por aqui"!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há nos meus olhos ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

e nunca vou por ali...



A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

-Que eu vivo com o mesmo sem vontade

com que rasguei o ventre a minha Mãe.



Não, não vou por aí! Só vou por onde

me levam meus próprios passos...



Se ao que busco saber, nenhum de vós responde,

por que me repetis: "vem por aqui"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

redemoinhar aos ventos,

como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

a ir por aí...



Se vim ao mundo, foi

só para desflorar florestas virgens,

e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço, não vale nada.



Como, pois, sereis vós

que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

e vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ide! Tendes estradas,

tendes jardins, tendes canteiros,

tendes pátrias, tendes tetos,

e tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha loucura!

Levanto-a como um facho, a arder na noite escura.

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...



Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

mas eu, que nunca principio nem acabo,

nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.



Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou.

-Sei que não vou por aí!