quinta-feira, 27 de maio de 2010









Já nem o meu reflexo consigo ver nas vidraças dos públicos que à minha frente passam,
pedaços nublados em tons de cinza através de duas formas negras tão translúcidas que quase opacas.
Guio-me pelos sons dos passos daqueles que desconheço e agarro uma mão que me tenta acalmar.
Sons ocultos, vozes oníricas que tentam agarrar a esperança de poder crescer um dia, construções destorcidas, cheiros pálidos...arrepios.

O jogo terminou.





ORGÂNICO*








*ORGÂNICO
adj.
1. Dos órgãos ou a eles relativo.
2. Relativo às substâncias organizadas.
3. Inerente ao organismo.
4. Fig. Fundamental.
5. Que organiza.
6. Inveterado.
7. Arraigado.










terça-feira, 25 de maio de 2010

SOLO












Gritei-te da janela do meu quarto, mas o meu grito desfez-se em pó
Corri atrás de uma luz, mas o vazio ficou escuro
Chorei a tua perda, mas as minhas lágrimas secaram

Enterrei-te junto da minha cama, e cresceram lírios brancos
Beijei-te por todo o corpo, enquanto me crescia saliva
Agarrei-te no sexo, e sussurras-te o meu nome

Desenhei-te por toda a minha casa, e restam agora espaços vazios, ângulos mortos
Extrai-te todo o sumo, e acabei por não o beber...

Arrancaste-me a alma e partiste!











segunda-feira, 3 de maio de 2010



demasiadamente enlouquecedor conseguir pensar o que faço aqui, porque estou aqui e porque quero ficar por aqui




o vazio
QUEIMA*









*
queima
s. f.
1. Acto!Ato ou efeito de queimar.
2. Cremação; incineração.
3. Efeito da geada sobre os vegetais.
4. Fogo que se lança aos campos de restolho.
5. Fig. Ruína.
6. Pop. Destilação.
7. Beira Trás-os-M. Traços que se fazem no chão para diversos jogos.
8. Designação abreviada da festa académica da queima das fitas.
9. Bras. Liquidação final do negócio.












segunda-feira, 19 de abril de 2010










HOJE NÃO FAZ SENTIDO

NÃO DORMIR
*















*DORMIR
v. intr.
1. Estar entregue ao sono.
2. Estar em repouso; conservar-se imóvel.
3. Girar tão rapidamente (o pião ou a bola do bilhar) que parece estar imóvel.
4. Passar a noite.
5. Descansar na paz do túmulo.
6. Não fazer nada.
7. Estar entorpecido.
8. Estar latente.
v. tr.
9. Passar (um período de tempo) dormindo.
s. m.
10. Estado de quem dorme.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ABRAÇOS FICTÍCIOS









AZUIS










ANIL






sábado, 10 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

DESPIDO

"Corre a noite, de manso num murmúrio
Por desertos e casas pedregosas
Quem saberá o que vale a pena?"










FLORBELA COM PESSOA
(mero acaso)






sexta-feira, 2 de abril de 2010

BEATRIZ






O Mar empurra-as com a atitude de quem não deve partir. Cheira a Ti, nunca aqui estivemos, mas cheira-me a ti.
Está frio e o desejo de sentir um quente abraço teu não me abandona, trouxe-o comigo para nada ser em vão, Fuga, Praia, chama-se Al Berto.
Sinto a cabeça vazia de nada e nos meus ouvidos ouço o éter, a trizteza, a melancolia da chamada Beatriz. O sol esconde-se e o céu torna-se alaranjando, exitem cães que voam enquanto as mãos ficam fracas e lentas pela rouxidão trazida pelo vento.
Aqui sentado já tudo me parece tão pálido e oculto, o farol ao longe exibe a sua magistralidade, a luz quase acende e Tu não vens. Afinal qual é o teu nome? Qual é o sabor do teu toque? O sol já se despede de mim e tu?
Já não existem Pedros nem Romeus, existo eu que por mera inocência vim.
Está cada vez mais frio, já nem um cigarro consigo acender.
O mar aproxima-se na tentativa de me abraçar, envolvente, salgado, extremamente quente, verde e branco.
Tu, não vens!
Há cães, meninos que brincam na praia, pegadas de alguém que já partiu.
Pensei que de mim ao Mar a distância fosse maior, o Sol já se pôs.



Vamos Beatriz (não grites mais).









quarta-feira, 31 de março de 2010











Foram secas as palavras engolidas o meu corpo está frio, afinal, os dias sem ti não são dias iguais, são apenas dias banais.




























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Uma mão cheia de NADA



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terça-feira, 30 de março de 2010

SINGLE | GRAY




Foi uma voz com cor de cafeína que me disse.
MaIs uma vez te sinto fugir por entre os meus dedos, te sinto a entrar pelo meu corpo, perco os reflexos e abandono o toque suave de um veludo cor de carne.
Habitas-me mesmo que ausente...apareço nú, despido de todas as armas que até agora me fortaleceram agressivas batalhas.
Aqui permaneço conservado em sangue sobre pequenos pedaços de vidro.







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segunda-feira, 29 de março de 2010

CAPITÓLIO





As músicas quentes que me tocast-te, os sorrisos doces que ofereces-te e as palavras parcas que me disses-te fogem entre os dedos.

Garrafas bebidas inundam o meu rosto já queimado por cigarros fumados à chuva. Um espaço alzul vazio de música e agora coberto por imagens de alguém... as horas escorriam como pequenas gotas e os sorrisos desenhavam-se nos rostos daqueles que te fazem.

Foi num dia, uma tarde à beira Mar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

José Régio



"Vem por aqui"- dizem-me alguns, com olhos doces,

estendendo-me os braços e seguros

de que seria bom que eu os ouvisse

quando me dizem: "vem por aqui"!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há nos meus olhos ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

e nunca vou por ali...



A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

-Que eu vivo com o mesmo sem vontade

com que rasguei o ventre a minha Mãe.



Não, não vou por aí! Só vou por onde

me levam meus próprios passos...



Se ao que busco saber, nenhum de vós responde,

por que me repetis: "vem por aqui"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

redemoinhar aos ventos,

como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

a ir por aí...



Se vim ao mundo, foi

só para desflorar florestas virgens,

e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço, não vale nada.



Como, pois, sereis vós

que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

e vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ide! Tendes estradas,

tendes jardins, tendes canteiros,

tendes pátrias, tendes tetos,

e tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha loucura!

Levanto-a como um facho, a arder na noite escura.

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...



Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

mas eu, que nunca principio nem acabo,

nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.



Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou.

-Sei que não vou por aí!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

.... se são Histórias ou Estórias



(....)

deitado na pálida penumbra dos teus lençóis consigo chorar lágrimas com cheiro a ouro, sinto ardor nos meus lábios de tanto beijar.... frio no meu corpo de tanto calor aqui
ergues o sol e chamas o anoitecer de tanta prepotência que tem o teu corpo, chamar.te.ia Salazar se o fosses... consegues reunir tantos pós, tantas cales, tantos sangues e tantas flores.

Foste embora...

uma viagem a África
um pedaço de poesia
uma lágrima perdida
(....)
pedaços de ti
um beijo gélido
um acordar magistral

...as palavras já estão gastas meu amor.... mas não esgotamos o silêncio...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Home Sweet Home

plastic lamp









tea table (2)









recycle spot












mobile paper









mural postcards









box magazine















Mica's space_bookcase










quarta-feira, 11 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009






MOon River



"...hoje vou ter medo de adormecer, procuro reflexos que não consigo encontrar,
foram.me cortados os veios que me desenham as impressões e choro lágrimas púrpuras que mancham o chão do claustro do meu quarto..."


terça-feira, 29 de setembro de 2009







... dark lights in London!












sexta-feira, 25 de setembro de 2009